guarda-chuvas
Crédito: Irén Nemess | Fonte: Pixabay

Sou aquele tipo de pessoa que faça chuva ou faça sol, sempre anda com um guarda-chuva na mochila. O que chega a ser no mínimo curioso, pois tenho uma relação de amor e ódio com eles, com muito mais ódio do que amor envolvido.

Por diversas vezes já pensei em abrir mão deste objeto de eficiência duvidosa. Prova disso é que ele já não é mais o único na minha vida. Faz alguns anos que ele ganhou a companhia de outro apetrecho na minha bolsa: uma capa de chuva descartável. Porém, assim como seu irmão, ela está longe de ser perfeita.

A minha frustração mais recente aconteceu durante a minha última viagem, em Buenos Aires.

Ao notar que estava chuviscando, convidei meu guarda-chuva para me acompanhar até a Pizzaria Guerrin, onde eu iria jantar. Impossibilitado de recusar o convite, ele topou o passeio pelas ruas portenhas.

Como quase sempre, começamos a caminhada muito bem. E admito que por alguns minutos ele foi um ótimo companheiro. No entanto, bastou uma rajada de vento, provavelmente vinda do sudoeste, para que os nossos problemas começassem.

O primeiro sinal de fraqueza da parte dele veio com um problema clássico entre os guarda-chuvas: a virada do avesso inesperada que te causa segundos de desespero e vergonha pública.

Por sorte, dessa vez ele não escapou da minha mão e saiu voando, como já aconteceu em outras ocasiões ainda mais constrangedoras. Bastou posicioná-lo contra o vento para que ele voltasse ao seu modo correto de uso. Retomei o controle da situação e continuei andando, porém, não tão confiante como antes.

Para deixar a nossa relação ainda mais abalada, a chuva e os ventos aumentaram, e o que era uma garoa já havia se transformado em um verdadeiro pé d’ água.

Antes que meu único par de tênis se encharcasse, resolvi parar sob o toldo de um supermercado. Aliás, essa é uma das maiores fraquezas dos guarda-chuvas e também da sua irmã capa de chuva: por melhor que eles sejam, a barra da sua calça e o seus sapatos nunca estarão em segurança.

Ali, fazendo hora na esperança de que a chuva desse uma trégua, comecei a observar e a invejar as pessoas que continuavam caminhando com seus guarda-chuvas aparentemente perfeitos.

Sei que meu atual companheiro não é nenhuma Brastemp. Mas acontece que já tive vários modelos e, independente disso, as inconveniências sempre aparecem.

Os pequenos, que cabem dentro de uma mochila, são os meus preferidos. Porém, também costumam ser os mais frágeis. Normalmente são eles que viram do avesso com facilidade, ou que tem algum ferrinho comprometido logo no primeiro dia de uso.

Até já pensei que o problema poderia ser comigo, e não com os guarda-chuvas que compro. Talvez eu não saiba como utilizá-los corretamente e tenha que procurar algum tutorial no Youtube. Mas depois de observar o modo como algumas pessoas andam com  eles – e acredite, cada pessoa segura o guarda-chuva em um ângulo diferente – comecei a acreditar que isso não seja tão relevante.

Disposto a mudar de vida, certa vez passei uma temporada com um daqueles guarda-chuvas maiores, mais reforçado. Tivemos boas experiências juntos, e eu até relevava o fato de ter que fecha-lo para poder passar em alguma calçada estreita com um poste no meio do caminho.

Porém, o fato dele ser muito grande e não caber em uma mochila, fez com que eu o esquecesse na faculdade. Só fui me lembrar dele quase um mês depois quando o dia amanheceu chuvoso.

Perdido nos meus pensamentos e refletindo se eu deveria investir em um daqueles modelos tamanho família, que mais parecem um guarda-sol, depois de quinze minutos esperando que São Pedro se cansasse, a chuva finalmente começou a diminuir.

Resolvi seguir em frente, mas sem o guarda-chuva aberto. Não queria passar mais nenhum vexame diante de outras pessoas que tinham relacionamentos saudáveis com seus para-águas.

Mas eis que para minha surpresa, quando esperava o semáforo abrir para atravessar rua, outra rajada de vento – esta aparentemente do noroeste – fez com que a sombrinha de uma senhora se rebelasse contra ela.

Tentando disfarçar o riso da desgraça alheia, essa foi a comprovação que eu tive para acreditar que, provavelmente, relações conturbadas com guarda-chuvas seja um problema universal, onde nenhum latino, europeu ou extraterrestre, esteja imune.

Desde que comecei a viajar, em 2011, conhecer o mundo se tornou um dos meus objetivos de vida. Em 2014 deixei meu antigo emprego para realizar a minha primeira grande trip: 10 meses viajando e trabalhando pela América Latina. Desde então compartilho minhas experiências de viagem aqui no Volto Logo.

6 COMENTÁRIOS

  1. haha amei o post <3 aqui onde eu moro chove bastante, então sempre carrego um guarda-chuva na bolsa também. Além dele ser bem fragil e de não resistir a grandes chuvas, já me salvou de maus bucados uhsauhsu só espero que um dia teremos uma forma realmente util e prática de nos protegermos da chuva e do vento sem dificuldade xD

    • Que bom que gostou, Juline!!
      hahahaha

      Verdade, né?!

      Uma amiga me recomendou abandonar de vez o guarda-chuva e apostar nas roupas e botas impermeáveis!
      Estou pensando no assunto! hehehehe

      Abraço

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