Não. Esse post não tem a intenção de listar os problemas da América Latina. E, muito menos, compará-la com países considerados do primeiro mundo.
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Já quero te avisar logo de início que, talvez, o conteúdo deste post pode não ser o que você tinha imaginado. Não, esse não é mais um daqueles textos que apresentam inúmeros problemas comuns na América Latina, que nós, habitantes dessa região, infelizmente já nos acostumamos a conviver. Não, esse texto também não vai listar vantagens de morar em qualquer país desenvolvido que têm uma ótima qualidade de vida. Também não tenho a menor intenção de fazer qualquer apologia para que abandonemos nosso continente. Longe disso.

Pode parecer controverso, mas a frase que dá nome a esse texto foi escrita por um dos revolucionários mais importantes da América Latina. Um revolucionário que é considerado herói nacional por boa parte da população de pelo menos cinco países sul americanos. Um revolucionário que lutou pela independência de seis ex-colônias espanholas, e, que tem como homenagem o próprio nome como nome de um país.

O homem que escreveu a frase citada acima em uma carta ao general Flores, até então quem governava o Equador, foi Simón Bolívar. 

Ah, e não se preocupe se o nome não te parecer familiar. Afinal, pouco estudamos na escola sobre a história de nossos países vizinhos. Pouco é falado aqui no Brasil sobre o processo de independência de países como Venezuela, Equador, Colômbia, Peru e Bolívia. Sim, Simón Bolívar é considerado o principal responsável por estes feitos.

Declarado por muitos como um dos heróis da América Latina, não é raro encontrar nestes territórios uma devoção que beira o exagero. Praças, parques, ruas, escolas e monumentos – ao visitar algum desses países você encontrará inúmeros lugares que levam o seu nome.

Mas não se engane. Considerar Simón Bolívar apenas como um libertador e benfeitor da América Latina pode ser um equívoco. Aliás, parte da população daquela época já estava se dando conta disso. Com a popularidade ladeira a baixo, após sofrer um atentado em Bogotá, em 1928, Bolívar constatou que deixar a América Latina era sua única escolha.

Simón Bolívar
Parque Bolívar em Medellín, Colômbia

# Um pouco da história de Simón Bolívar

Bolívar nasceu em uma família aristocrata em 1783, na cidade de Caracas, Venezuela. Realizou parte de seus estudos na Europa, onde começou a traçar seus ideais para a libertação da América do domínio espanhol.

Em 1806, a Venezuela começava a organizar seus primeiros movimentos a favor da independência, comandados pelo general Francisco Miranda. Simón Bolívar regressa ao seu país de origem no ano seguinte para juntar-se ao movimento e iniciar assim a sua trajetória de glórias.

Depois de muitas batalhas, e algumas derrotas inclusive,  a Venezuela finalmente conseguiu sua independência em 1813, e Simón Bolívar nomeado “El Libertador”. Porém engana-se quem acha que revolucionário estava satisfeito. Um dos grandes objetivos de Bolívar era fazer de todas as colônias espanholas uma única nação, com um poder e governo centralizado.

Para isso, liderou também parte do movimento de independência na Colômbia, país no qual ele já havia estado após o fracasso de uma batalha na Venezuela, em 1812. Depois de uma sangrenta batalha que durou aproximadamente dez anos, a Colômbia por fim se viu totalmente independente em 1819.

Era o começo de novos tempos. No mesmo ano se iniciou o processo de formação do que viria a ser a nova República de Colômbia (também chamada de Grande Colômbia), uma única nação formada pelos atuais Equador, Venezuela, Colômbia e Panamá (para quem já havia percebido a semelhança entre as bandeiras dos três primeiros países e não sabia o motivo, está aí). O país que de fato existiu legalmente por quase uma década, teve como presidente o próprio Simón Bolívar.

simon bolivar américa latina
Bandeira da atual Colômbia
Bolívar e José de San Martin
Estátua que representa o encontro entre Bolívar e José de San Martin, líder dos movimentos de independência na Argentina e Chile

# O que nem todos sabem

Ok, que Bolívar foi importante em momentos decisivos na história da América Latina é algo que você encontrará em qualquer texto sobre a vida do revolucionário, e ninguém tem dúvidas sobre isso. Porém, muitos esquecem de mencionar outros feitos e ideais do herói latino americano que não são muito dignos de honrarias.

Muitos acreditam que Bolívar era um idealista da democracia, porém, em qualquer biografia do revolucionário fica claro que ele era centralizador e tinha um grande fascínio pelo poder. Prova disso era a sua ideia fixa em unificar toda a América do Sul em uma única república federativa.

Outra manifestação de Bolívar mostrando seu lado autoritário está explicita quando o mesmo escreveu a primeira Constituição da Bolívia, país no qual ele também ajudou no processo de independência e teve o próprio nome dado ao novo país. Nela, Simón diz que o presidente deve governar por toda a sua vida e ainda teria o direito de escolher o seu sucessor.

Dentre outros fatos que muitos esquecem ao falar de Simón Bolívar, mas que também merece destaque, é o medo que ele tinha de que negros, índios e mestiços tomassem o poder e instalassem um governo denominado “pardocracia”, termo criado pelo próprio Bolívar.

Mesmo após sua morte, Simón Bolívar foi lembrado diversas vezes por ditadores que o viam como um ídolo e compartilhavam de ideias parecidas. É o caso de Juan Vicente Gómez, terrível ditador venezuelano.  E outro, que provavelmente te soará mais familiar, Benito Mussolini.

Karl Marx tinha uma opinião bem definida e bastante polêmica sobre Bolívar. Apesar de muitas pessoas de esquerda terem adotado Simón como um herói, para Marx, o revolucionário era covarde, medíocre, egocêntrico além de péssimo estrategista militar. Ele ainda destaca que a grande Batalha de Boyacá, vencida por Bolívar, só aconteceu graças a ajuda dos ingleses.

Será que Marx tinha razão de pensar assim? Simón Bolívar deve ser considerado um herói ou um ditador? Esta é uma questão que jamais terá unanimidade como resposta. Porém, uma coisa é certa, Simón Bolívar foi, sem dúvida, uma das figuras mais marcantes da América Latina.

*Nota: Esse post foi inspirado em um dos capítulos do livro “Guia Politicamente Incorreto da América Latina”


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Desde que comecei a viajar, em 2011, conhecer o mundo se tornou um dos meus objetivos de vida. Em 2014 deixei meu antigo emprego para realizar a minha primeira grande trip: 10 meses viajando e trabalhando pela América Latina. Desde então compartilho minhas experiências de viagem aqui no Volto Logo.

5 COMENTÁRIOS

  1. Boa noite, Murilo!

    Estou planejando uma viagem pela América Latina e seu blog tem sido de grande importância. =]
    Em relação a este post, sou estudante de História, e apesar de concordar com o fato de que a América transformou algumas figuras controversas em heróis, fiquei alarmada com a referência bibliográfica. Todo material histórico é confeccionado a partir de vasta pesquisa. E algo que prontamente percebi ao ler este livro é que tanto o autor como o co-autor não são historiadores nem tiveram preocupação com a origem dos fatos que estavam escrevendo. Tem muita coisa ali que não possui comprovação alguma. Ao fim me pareceu um ‘sensacionalismo histórico’ pra ter alta vendagem.
    Só pra deixar claro que não vejo problema no jornalismo histórico. A grande questão é que, sem fontes minimamente confiáveis, não há credibilidade, e é disso que o livro carece.
    Abraços

    • Oi Isabel!!

      Antes de mais nada muuuito obrigado pelo feedback…
      🙂 🙂 🙂

      Sobre o texto, quando disse que o post foi inspirado no capítulo deste livro, quis dizer que a ideia de escreve-lo surgiu depois de ter lido.
      Porém, embora eu também o tenha utilizado como referência, não foi a única… hehehe

      Ahhh… E concordo com você sobre o livro.
      Apesar de não saber tanto quanto gostaria sobre algumas figuras do nosso continente, também me pareceu que o sensacionalismo foi largamente utilizado no livro…

      Muuuito obrigado por passar aqui!!

      Abraço

  2. Grande contribuição. Excelente post Ainda mais com a opinião do Karl Marx. Os alienados da extrema esquerda o consideram herói, mas, na verdade, mais um anti-heroi latino americano com muitas lendas.

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