Estreando a coluna Viajantes do Volto Logo, a Camila Schvartsman nos conta como foi sua experiência na Índia. Um país completamente diferente do que estamos acostumados por onde ela viajou por quase dois meses.

pequena
Jaipur

Finalmente tomei coragem de fazer um post contando um pouco sobre minha primeira experiência na Índia.

A primeira frase que eu ouvi quando cheguei lá foi: “Welcome to Índia, the land of problems”. Se eu concordo? Ahh sim, muito. Foi a parte da minha viagem onde tudo aconteceu de maneira diferente do que eu tinha planejado. O que não significa que tenha sido ruim, mas sim surpreendente, como é a Índia. Mas vou me abster de contar detalhes da minha experiência pessoal e contar mais sobre minhas percepções e aprendizados.

Chegar lá é exatamente como descer do avião e sentir que você foi enviado a outro planeta por engano, sem exageros. Em 30 minutos já estava em um tuc tuc, suando like HELL, virei uma celebridade (eles ficam muito surpresos/ encantados/ curiosos com uma pessoa do ocidente por lá que te encaram como se você tivesse acabado de sair na capa da Vogue), pagando dez centavos por uma água e me sentindo suja só de dar uma volta no quarteirão.

Sendo sincera, meus primeiros dias não foram exatamente fáceis. Toda a sujeira, pobreza, falta de conforto, de água quente, de cama, bagunça, confusão, buzinas, animais na rua (não, brincadeira, deles eu sempre gostei – tirando quando os macacos invadiram meu lar), trânsito caótico, calor, falta de saneamento, de água/ comida limpa e insegurança (especialmente para mulheres), me fizeram questionar a escolha e pensar: “cadê a Índia mágica, espiritualizada, encantadora que eu estava esperando? Onde é que eu vou redescobrir um pouco de espiritualidade em mim se eu não consigo ouvir nem meus pensamentos com tanta buzina e gente?”.

macacos
Bagunça feita por macacos que invadiram a casa

Pois bem, passar por essa crosta de choque cultural que divide a Índia do meu mundo ocidental costumeiro demorou um pouco, custou um pouco e doeu um pouco, um pouco mais do que eu esperava. Mas é quando isso passa que você consegue enxergar o que a Índia tem a te contar. Como é um pouco difícil  explicar exatamente o que acontece, vou usar alguns tópicos para ajudar.

11 coisas que eu aprendi vivendo na Índia!

 1) Amor

Não encontrei o amor da minha vida por lá não haha, mas confirmei que o essencial nessa vida é mesmo  esse sentimento. Por quê? São mais de um bilhão de pessoas convivendo pacificamente em sociedade e se não houvesse MUITO amor naqueles corações, isso jamais seria possível.

2) Ser eu mesma

Sim, eu sempre fui do lema ‘o que importa é quem você é por dentro’, mas isso nunca foi tão necessário antes na minha vida do que num lugar onde não cabem roupas bonitas, maquiagem (ela vai derreter em um segundo com o calor e a humidade de lá), cabelo arrumado… Você aprende a conquistar os outros por aquilo que há dentro de você, afinal, nenhum artefato vai estar lá pra fazer isso por você.

3) Confiança

Aprendi a confiar sem pensar tanto. Percebi que sou muito desconfiada, sempre questionando as intenções dos outros. Mas olha, você se vê no meio de uma cidade que não conhece, com regras, cultura e costumes que não conhece, dentro de um tuc tuc com um motorista que não fala inglês, se você não se permite confiar e se jogar, vai ter um surto no primeiro dia. (Não quer dizer que confio em tudo agora haha).

 4) Culturas

Pois bem, nunca aprendi TANTO sobre outras culturas, sobre religião, destino, crenças, nem só com os próprios indianos, mas com as pessoas tão diferentes que eu conheci por lá.

 5) Dinheiro não traz felicidade

Ok, eu já era dessa filosofia também. Mas depois de alguns meses na Europa e tantas pessoas sem um sorriso no rosto, cheguei na Índia, onde a maioria não tem nada (e por nada eu me refiro a nada mesmo, um prato de comida ou um teto) e vi os maiores e mais brilhantes sorrisos que já tinha visto.

 6) Que eu preciso de muito menos do que eu tenho

Simples assim. 

Índia

Mumbai- Índia
Mumbai

7) A reavaliar meus conceitos

Afinal, considerava como premissa básica que vacas não andam na rua, que é impossível ser feliz com tão pouco, que eu nunca comeria frango cozinhado no meio da sujeira, que é impossível um trânsito funcionar sem regras, que não da pra dormir quando está trinta e cinco graus a meia noite. Mas eis que…

 8) A ser feliz com menos

Menos baladas, menos roupas bonitas, menos festas, menos chapinha, menos maquiagem, menos conforto e menos excessos.

 9) Dar (mais) valor as amizades

Porque olha, se não fossem as pessoas incríveis que eu conheci por lá, talvez não desse conta.

 10) Dar risadas sem razão

Porque mesmo quando tudo está bagunçado, nada muito agradável, você pode estar perdido e preso numa estação de ônibus no meio da Índia durante uma monção ou quando sua casa é invadida por macacos (vou relembrar essa história pra sempre), uma risada vai tornar tudo muito mais suportável e fácil do que antes.

Índia 2

 11) Observar pequenas coisas

Nunca tinha parado tanto para reparar na criança que sorri bonito, no brilho da roupa de alguém, no cheiro diferente de alguma planta, em um homem rezando. Esses pequenos detalhes ajudam a construir a magia da Índia e eu aposto que eles estão em muitos lugares e eu que nunca tinha parado pra reparar.

 A SER MAIS LEVE, afinal, a Índia pede que você deixe seus excessos de lado. Provavelmente eu conseguiria chegar nos cinquenta, mas ainda preciso ver a Índia mais um pouco para isso.

E se depois de alguns dias eu achei a Índia que eu estava procurando? Sim! Mas não da maneira óbvia que eu imaginava, a beleza do lugar parece que está escondida e é só para quem quer ver. A beleza da Índia é ser um país capaz de te ensinar tanto sobre você e sobre a vida. Mas é claro que também tem os templos por todo lugar, cidades para meditar e fazer yoga como Rishikesh, Taj Mahal.

A cor da Índia? Todas! O cheiro da Índia? Curry + coco de vaca + incenso + tabaco mastigável + poluição + fruta fresca + chuva + terra molhada + lixo (fácil). O sabor da Índia? Apimentaaado!

Não dei tantos detalhes como gostaria, mas a verdade é que não nasci para ser blogueira. Mas espero ter dado um gostinho daquele lugar que todo mundo deveria visitar uma vez, que tem tanto a nos mostrar sobre a vida e que foi o mais longe que eu já cheguei até hoje da minha zona de conforto. Namastê!

Todas as fotos e texto © Camila Schvartsman

Desde que comecei a viajar, em 2011, conhecer o mundo se tornou um dos meus objetivos de vida. Em 2014 deixei meu antigo emprego para realizar a minha primeira grande trip: 10 meses viajando e trabalhando pela América Latina. Desde então compartilho minhas experiências de viagem aqui no Volto Logo.

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